quinta-feira, 21 de outubro de 2010

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'Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias. Saltitam, pululam.
Cheiros, odores, miragens.
O café.
O sorriso. 'Olá como está!'
E outras encenações
A novidade. 'A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal!'

Ai... a imperial da Munique. Os destemidos tremoços.
Moços, maçons. Canalha, navalha.
Pensa coração.
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura.
O relato da bola. A malha, copo de 3.
A feira do relógio. O relógio da feira.
Sandes de couratos, vinhos de Torres.
Jogging de Marvila.

Domingo... Especialmente domingo.
Barbeados. Dentes lavados e martinis no plástico labrego.
Alumínio. Moderno. Kitch. Mau gosto.
Doze cordas, mãozinhas. Salteadores da razão perdida.
Perdidos, enjaulados.
Correio da manhã. O cú da vizinha do 9ºB,
Regalo para a vista. Suplemento a cores com salários em atraso.

E a Lisnave. Petroquímica.
Cancros do meu Tejo, apodrecendo lentamente o azul das águas.
E eu impotente. Cinemascope.
Trinta e cinco milímetros de mim.
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres,
Que não são putas nem são falsas nem são nada.
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente.

Paga-se a saudade com cartão de crédito.

Táxi,
Leva-me para onde está o meu amor.
Táxi,
Leva-me para lá de mim.
Táxi,
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios.'