sábado, 14 de março de 2009

VII

Estou numa feira, ou algo do género. E digo-o porque a meu lado está uma enorme tenda branca onde, à entrada, enormes balões brancos se querem soltar pelo céu, impedidos por fitas vermelhas que alguém segura.
Não sinto a temperatura mas presumo que seja uma noite quente, pois todos vestem tshirts, calções, vestidos... Mas não consigo ver caras, só vejo corpos.
Passeio por lá e sento-me na relva, sozinho, a olhar para cima. As minhas pernas estão juntas e os meus joelhos bem próximos do meu peito. Eu aguardo algo, mas não sei o quê.
Subitamente, os balões soltam-se e vagueiam no ar captando toda a minha atenção. Vejo-os a dançar sem qualquer sentido, livres de tudo e sobre um lago, rebentando ao final de algum tempo. Um fogo de artifício magnífico; sem luzes e estrondo mas, com balões.
O último balão rebenta sobre mim, e o nó de borracha na sua extremidade, o resto do seu 'corpo', cai perto do meu lugar. Eu levanto-me.
Sinto-me sortudo sentindo aquele pedaço branco de algo na mão, e guardo-o no bolso. Em seguida, já de pé, parto à procura de algo, mas não sei o quê.
Vou olhando para todos os lados, andando calmamente e vendo gente à minha volta comer algodão doce e passear de mãos dadas. Vendo gente grande, pequena, de cabelos compridos, curtos... Mas não consigo definir caras.
Paro de repente e, frente a mim, está a única cara que consigo definir. Num vestido branco, os longos cabelos castanhos, os olhos esverdeados, iguais aos meus, os lábios finos e delicados, o peito saliente e aquela estatura que nunca consegui sequer comparar...
É ela! O amor da minha vida, o amor que perdi. A parte que me falta e a razão do meu vazio. A pessoa mais brilhante que um dia conheci.
Sinto que o tempo é presente, e não futuro ou passado. Sinto frio e calor, alegria e medo. Sinto tudo, e caminhamos mutuamente em direcção ao nosso encontro.
Ela diz-me "Dá-me apenas um abraço." e isso foi o suficiente para as lágrimas me darem sinal de si. "Eu odeio-te por tudo mas não consigo viver sem ti" - diz-me.
Sentamo-nos na areia, que antes era relva, e conversamos. Fazemos promessas e juras, falamos de qualquer coisa, sempre abraçados. Nunca nos largámos.
O lago torna-se mar, e o mar toca-nos com uma onda que sobe demasiado. Embate contra nós e levantamo-nos, dando final ao nosso abraço.
"Estás bem?" - pergunto-lhe.

Não obtive resposta, porque agora só vejo o meu quarto.
Estou de novo sozinho, no branco dos meus lençóis e das paredes ao meu redor. Confuso, diferente.
Apetece-me ligar-lhe, perguntar-lhe se ela também sonhou, se também sentiu o que eu senti! Ou apenas perguntar-lhe se está bem... Mas não posso fazê-lo.
Hoje não me apetece estudar, não me apetece ir trabalhar.
Hoje só vou largar um balão branco no céu.


(desculpem a ausência nos vossos blogs mas o meu tempo tem sido tão reduzido. Domingo estou livre, prometo visitar-vos)