terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

VI - 1ª Parte

Estou sentado a observar vícios e pessoas, fundidos. Existem luzes e cores em várias direcções, mas para mim é tudo negro. Sinto-me tonto e farto de estar em pé neste lugar, vasto de tédio.
Enquanto brinco com o meu isqueiro, no meu carismático "abrir e acender, fechar. Abrir e acender, fechar...", divirto-me a observar o autentico Reality Show onde, em primeira pessoa, posso encontrar tantas personagens quanto controvérsias e enredos.
Como o rapaz lá ao fundo: a quantidade de gel que o seu cabelo aparenta traz a notoriedade de que se preocupa com a sua imagem; tal como a forma como constantemente ajeita a blusa para que esta não se sobreponha à fivela do cinto, não vá a brilhante e reluzente insígnia D&G passar despercebida à rapariga a quem ele olha de soslaio, segundo a segundo.
Não muito distante, está outro rapaz. Este demonstra a sua irreverência e juventude pela forma como faz um pouco de mosh no meio do bar a ouvir "Ava Dore" e levantando bem alto uma garrafa de cerveja como se estivesse num concerto ao vivo. O seu círculo de amigos demonstra a mesma atitude: inconsciente, jovem, despreocupada, viva!
Perto desse círculo está uma rapariga, sorridente e calma, mesmo no meio de toda a agitação. Ela retira o telemóvel do bolso para o desbloquear; depois, olha para o ecrã, e por alguns segundos o sorriso dela desaparece, dando lugar a um olhar infinito e perdido. Finalmente, coloca-o de novo no bolso e retoma o sorriso que a ajuda a passar despercebida no meio da multidão.
Por sua vez, a rapariga está ao lado de um grupo de miúdas que gritam e saltam fernéticamente como se tivessem descoberto pela primeira vez que existe mais na vida do que Morangos com Açúcar, MSN e Hi5. E no meio delas está provavelmente a mais popular de todas, que se destaca pela forma como as outras se inclinam sobre ela cada vez que ela fala; ou como olham entusiasmadas cada vez que ela aponta; ou simplesmente pela forma como raramente parece ligar ao que as outras dizem...
O divertido nisto é que a rapariga popular aponta constantemente para o rapaz do gel, indicando o seu interesse mas, porém, falta de coragem em lá ir e confrontá-lo. O rapaz do gel continua a tentar chegar perto da rapariga que ainda gala, sem saber que bem perto, ainda no seu pequeno mosh e de garrafa no ar, está o seu namorado - coisa que concluí à entrada do bar, ao vê-los sempre de mão dada chamado-se "amor" mutuamente. E finalmente, a rapariga do telemóvel talvez não estivesse tão só se o desligasse e olhasse 90º à sua direita, onde um rapaz deixa soltar um olhar bastante apaixonado sobre ela.



(Pensei que este 'mundo' de blogosfera fosse diferente, vocês têm sido espectaculares.
Obrigado aos conselhos e às opiniões.)