segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

III

Estou mais só que sozinho. Porém, isso não muda o facto de estar só. E hoje optei por me sentar num terraço antigo, onde as telhas se desprendem só de eu calcar a aresta do telhado. E eu salto ritmicamente com força em cima dela num irreverente desafio às leis da física, e do azar.
De onde estou consigo ver tons de cinzento que vêm do do céu, e do mar que o reflecte. As nuvens são brancas e contrastam com o preto e cinzento escuro que vejo quando olho para baixo. São destroços, restos de coisas que outrora foram úteis.
O lugar onde agora junto os meus pés, foi um dia uma fábrica. De quê eu não sei, mas sei que agora não passa de um vestígio que o tempo apagou.
Pergunto-me como seria este mesmo espaço em outros tempos, e perco-me a imaginar os sons ritmados das máquinas, fundidos com os sons das vozes de dezenas de operários numa melodia só; metalizada, rústica, constante e rotineira!
Uma melodia como a que se ouve na baixa. Sons de autocarros e vozes de pessoas, bater de asas de pombos que fogem ao som de apressados sapatos com salto que batem na calçada, o recolher das chávenas de café da esplanada, o homem da lotaria, tudo num enorme bolo sonoro tão despercebido quanto ensurdecedor.
O meu pensamento desvia-se para algo que não me apraz, e eu perco-o. Substituo-o por outro, enquanto adoro a Lua no início de um aparecer. Sinto aquela aura que perenemente me acompanha quando a vejo. A nostalgia de saber que ela é minha, e que está ali para mim.
A meu ver, "eu" sou eu. Mais ninguém é eu, nem vê o que eu vejo. Eu sei que estou presente, aqui, ao olhar as minhas mãos e pernas e ao olhar lá para baixo, bem alto. Todas as outras pessoas rodeiam-me. Passam por mim. E ninguém me provou ainda que todas essas pessoas que por mim passam e acenam ou tocam ou me sorriem não são apenas criaturas semelhantes a mim, mandadas por uma senhora gorda de cabelos ruivos que controla tudo numa sala cheia de ecrãs, onde vê todos os meus movimentos. Como se ela fosse o destino de todas as pessoas, menos o meu.
Antes do ridículo vem o facto de que, na realidade, não sei. Desconheço. Podia perguntar-lhes, e a senhora gorda podia impedir-lhes de dizer a verdade. Logo, fico na mesma. E a Lua é para mim.
A Lua influencia as marés, gere-as. No nosso corpo possuímos cerca de 75% de água, por isso nada me contraria que a Lua também nos gere a nós.
Neste momento penso em como agora me sentiria mais só: se aqui, deslumbrado à Lua, se nela, observando a Terra.







Andreia,
Arabica,
'C. S.,
Cris,
Marcia Morais,
Nanda Assis,
Rita David,
'Paradoxos',
'Pedras Nuas',
Saara Senna,
Sara S.,
'Segunda Impressão',
Sonia Schmorantz,
Talita S.,
Teresa Castro,
e Vivian,

OBRIGADO!





25 comentários:

  1. OLá...ninguém conegue mesmo nos ver, como realmente somos, apenas imaginam, e isso é normal, pois fazemos o mesmo com os outros, vivemos de impressões, e ela as vezes podem estar erradas...Belo texto...vc vai me acompanhar também?
    Um abraço na alma...
    elcio do blog verseiro

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  2. Vamos dizer que atendendo a convocação...

    Será um blog diário, ou um com liberdade poetica?

    Bem, por via das dúvidas, a melancolia faz parte da vida, mas sempre haverá momentos felizes que nos farão questionar o porquê perdermos tanto tempo na melancolia, entendeu L. Malloy?

    Fique com Deus, pessoa.
    Um abraço.

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  3. Oi,

    Agradecendo a visita.

    As vezes penso que a lua interfere no nosso jeito de ser.

    Belos textos.

    abraços, boa semana.

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  4. Vim agradecer sua visita e conhecer o seu blog tb,textos otimos,gostei,e já me tornei uma seguidora dele.

    Otima segunda-feira para vc.

    beijooo.

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  5. Gostei do texto. Sei que é solidão, pois nela vivo. Estou acompnahndo seu blog, viu. Boa semana.

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  6. Obrigado por ler Las Tiritas, adorei aqui tbm e estarei acompanhando...acompanho todos q me acompanaham e me seguem....sem excessão, adoro todos q la passam e comentam.
    Abraços

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  7. Olá, tudo bem contigo?

    Nesse meu Blog sobre filmes eu só acompanho os meus outros 3 Blogs, mas posso te linkar no outro Blog se tu não se importar é claro.

    Abraços.

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  8. Oi amigo, prazer te ter lá no meu blog, pode ficar tranqüilo que eu virei sempre aqui. Me visite também.

    Hoje não tive tempo de ler seu texto, mas prometo que depois volto e leio.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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  9. Sempre estamos naquela sensação de como seria se ao invés de estarmos aqui estivéssemos acolá.
    Cadinho RoCo

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  10. Oie meu novo amigo! Obrigada pela visita. Adorei seu blog!
    O fato de estarmos sem companhia, não quer dizer que estejamos sozinhos, pois podemos nos sentir sós, ainda que redeados de pessoas. Mas em qualquer caso, é impressindível não se deixar abater. Essa sensação, tenho muitas vezes sentido. Mas me apego as melhores lembranças e tento pensar que é apenas uma fase e que dela preciso, para entender muitas coisas.
    Fácil aconselhar, quando estamos distantes do problema... Mas vale a pena tentar.
    Boa semana! Beijos

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  11. Olá,
    vim retribuir sua vista e pode deixar que lhe acompanharei sempre ...
    Beijos e ótima semana
    adorei o texto ...

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  12. Olá,
    vim agradever a passagem pelos Novos Textos com História. Vim espreitar à uns dias, mas ando com muito pouco tempo disponível para dedicar aos espaços o tempo que gosto.
    Vim hoje, gosto bastante da tua escrita, mesmo que pouco positiva. A forma como descreves os espaços é interessante porque cria imagens e o teu sentir remete-me para tempos ainda não muito longincuos.
    Vou acompanhar este blog com atenção concerteza!

    beijo:
    C&L :)

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  13. Tu és muito bom na forma como trabalhas as palavras!O texto é belo. Consigo visualizar as imagens como se fosse um filme!!!

    Destaco uma frase:
    "Como se ela fosse o destino de todas as pessoas, menos o meu."

    Porque não o teu ?

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  14. Sabe, é inútil tentar animar uma pessoa em melancolia dizendo sobre as coisas boas da vida e como não devemso desperdiãr tempo..
    Momentos ruins, tristes ou apenas sós é o que nos faz a dar importância às outras coisas..
    Gostei dos detalhes na sua escrita e com certeza virei mais vezes
    baaci.

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  15. Flap!Flap!Flap! Pousei... Cá estou meu caro, e apreciei deveras vosso texto! De uma melancolia pungente, me levou de volta ao passado e me lembrou algumas fábricas que hoje também estão assim, vazias abandonadas... Mas lembre-se, não temos poder sobre o passado nem sobre o futuro, apenas sobre o presente, portanto, ânimo, batatas-fritas e uma cerveja ou coca geladas em frente à tv e VIVA A LIBERDADE, eeeeee!!! Tens mais um amigo aqui à te acompanhar com todo prazer! Um grande abraço do conde ;)

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  16. As vezes os dias e as fazes da lua dizem qndo nao estamos bem...tem epoca q tamos malzzz..muito mesmo preferindo a solidao...outras epocas estamos rindo...faz parte nee

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  17. Oi amigo, obrigado a visita!!!
    Muito bom seu post e parabens pelo blog... muito importante aprendermos a trabalhar nossos sentimentos, muitas vezes utilizando dessas linhas!!
    Desejo uma ótima semana e estarei acompanhando, abraço!!!

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  18. O rio

    Uma gota de chuva
    A mais, e o ventre grávido
    Estremeceu, da terra.
    Através de antigos
    Sedimentos, rochas
    Ignoradas, ouro
    Carvão, ferro e mármore
    Um fio cristalino
    Distante milênios
    Partiu fragilmente
    Sequioso de espaço
    Em busca de luz.
    Um rio nasceu.
    V. de Moraes

    Pra homenagear
    o seu belo texto!
    Abraço

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  19. Saudosista seu texto!
    Com a nossa alma tambem acontece assim...
    Pare para imaginar os dias de febril alegria e depois só o marasmo das horas tristes...

    É como essa fábrica velha...

    Um passado...um presente...
    Dias Alegres... Dias tristes...


    Beijos avassaladores


    PS: Voltarei sempre!

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  20. Decidi aceitar o teu convite e vim conhecer o teu blog.
    Penso que deves continuar a escrever e a mostrar-nos o que de melhor podes construir.
    Vou seguir o blog. E tu, seguirás o meu?

    Susana.

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  21. tds nos somos mais k o mero aspect exterior...sendo axim é normal k ninguem nos veja km realmente somos... nem o k sentimos ou pelo k paxamos...
    aprende a viver ktg e principalmente a olhar mais p o k te rodeia...pk por cert n estas tao só, simplesmente n deixas k ninguem s aproxime d ti...
    bjs bjs

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  22. Fábrica velha e Lua! Acenaste com imagens que me são caras desde a infância, L! Agora, para onde levam as correntes aquáticas e/ou metálicas, só há um jeito de descobrir.

    Mas disso já desconfiaste, não?

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